domingo, 6 de março de 2011

Guardando trecos e fatos

Adoro guardar coisas. Desde que me lembro. Guardo cartões, embalagens, caixas, tampinhas de Heineken, livros antigos, fotos e tudo que possa conter algum valor sentimental. Ou não.
Tenho também uma caixa especial, onde guardo pessoas. A caixa em questão agora está bem protegida por uma camada de pedras, uma camada de concreto e por fim uma camada bem espessa de aço. Ninguém mais entra, ninguém mais sai. Mas nem existe tanta gente assim lá dentro.
Guardo vagas lembranças e devaneios, rostos que nunca vi, rosas que nunca ganhei, perfumes que nunca senti, mas que estão lá, bem no fundo de uma gaveta esquecida.
Guardo por que não sei quando posso precisar, por que tudo isso é meu refúgio. Guardo por que todas essas coisas resumem a minha vida. São as páginas rasgadas e queimadas de mim mesma que eu cismo em ler.

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